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Currículo de designer UX/UI: o que colocar e exemplo

Atualizado: setembro de 2026 · Dante Coledas, fundador do chooseme

Quem contrata um designer UX/UI quer ver processo e resultado: como um problema de uso foi entendido, que decisões de interface saíram dele e o que mudou nas métricas depois do lançamento. O portfólio mostra o processo; o currículo precisa mostrar o resultado em uma página e levar ao portfólio em um clique.

A maioria dos currículos do cargo é um catálogo de ferramentas sem contexto, ou aposta em um layout tão elaborado que o sistema de triagem não lê. Este guia explica o que pesa na leitura, quais termos as vagas filtram, como escrever descrições com impacto medido e como fica um currículo completo do cargo dentro da área de tecnologia.

Neste guia

O que pesa no currículo de designer UX/UI

O link do portfólio é o elemento mais importante do documento e deve aparecer no cabeçalho, ao lado do e-mail e do LinkedIn. Site próprio, Behance ou uma página no Notion servem, desde que abram sem senha e mostrem de dois a quatro cases com problema, pesquisa, decisões e resultado. Sem portfólio, o currículo costuma ser descartado antes da leitura da experiência.

Na experiência, o recrutador procura o tipo de produto (aplicativo, sistema interno, e-commerce, plataforma B2B), a etapa em que a pessoa atuou (pesquisa, arquitetura de informação, interface, testes, handoff) e o efeito medido: conversão, conclusão de tarefa, redução de chamados de suporte, adoção do design system. "Criação de telas" não diz nada disso.

A formação é flexível: bacharelado em Design, Comunicação ou Sistemas de Informação e cursos de escolas de UX (Tera, Mergo, Awari) aparecem lado a lado nas vagas brasileiras. A certificação Google UX Design ajuda em perfis iniciantes, mas o que decide é a combinação de portfólio e resultados.

Palavras-chave que as vagas buscam

Os termos mais frequentes nas vagas de designer UX/UI e product designer no Brasil:

  • Figma (componentes, auto layout, variáveis)
  • Design system e tokens
  • Pesquisa com usuários e entrevistas
  • Testes de usabilidade (moderados e não moderados)
  • Wireframes e prototipação de alta fidelidade
  • Arquitetura de informação e jornada do usuário
  • Heurísticas de Nielsen
  • Acessibilidade (WCAG 2.1)
  • Design thinking e Double Diamond
  • Maze, Hotjar e UserTesting
  • Miro e FigJam
  • Handoff para desenvolvimento e noções de HTML e CSS

Convém usá-las nas descrições de experiência, junto do resultado que produziram. Antes de enviar o currículo para uma vaga concreta, a ferramenta para adaptar o currículo à vaga aponta quais termos do anúncio ficaram de fora.

Descrições de experiência que funcionam

Os pares abaixo mostram como transformar uma tarefa de design em um resultado de produto:

Assim nãoAssim sim
Criação de telas para o aplicativoRedesenhei o fluxo de abertura de conta (de 12 para 7 telas) e a conclusão do cadastro subiu de 54% para 71% em dois meses
Realização de testes de usabilidadeConduzi 24 testes moderados no Maze e corrigi 9 problemas críticos antes do lançamento, reduzindo em 40% os chamados sobre o checkout
Manutenção do design systemEstruturei o design system em Figma (140 componentes, tokens de cor e tipografia), adotado por 4 squads, e cortei pela metade o tempo de handoff
Criação de protótiposPrototipei 3 versões da página de planos e validei com 15 usuários; a versão escolhida aumentou a conversão em 22%
Pesquisa com usuáriosMapeei a jornada de 18 lojistas em entrevistas e priorizei 6 melhorias que reduziram o abandono do painel em 27%
Ajustes de acessibilidadeAuditei 35 telas segundo a WCAG 2.1 AA e corrigi contraste e navegação por teclado, eliminando todas as falhas críticas

Júnior vs. sênior

No início da carreira, o portfólio pode conter projetos de estudo e redesigns hipotéticos, desde que identificados como tal e apresentados com o rigor de um projeto real: problema, hipótese, processo e aprendizado. Estágios, freelances e projetos voluntários para pequenos negócios contam como experiência. O currículo júnior deve deixar claro o foco (pesquisa, interface ou ambos) e listar só as ferramentas dominadas.

O designer sênior é avaliado por decisões e influência: evolução de um design system, pesquisa que mudou a estratégia de um produto, condução de design critique, mentoria de outros designers e participação em decisões de roadmap. As descrições passam a incluir métricas de negócio, não só de usabilidade, e a escala do trabalho (squads, produtos, usuários).

Um currículo júnior com quinze ferramentas e nenhum case é mais fraco do que um com Figma, três cases documentados e um resultado medido.

Erros frequentes neste cargo

Os erros que mais eliminam candidatos a UX/UI se concentram no portfólio e no formato do próprio currículo:

  1. Portfólio ausente ou protegido por senha. O recrutador não pede acesso; passa para o próximo.
  2. Portfólio só com telas finais. Sem problema e processo, a pessoa é lida como designer visual, não como UX.
  3. Layout que o ATS não lê. Colunas, ícones e texto em imagem derrubam a leitura automática. Um currículo criativo exige, em paralelo, uma versão sóbria feita a partir de um modelo de currículo de uma coluna.
  4. Ferramentas sem contexto. "Figma, Sketch, Adobe XD, Miro, Notion" não diz o que foi feito com cada uma.
  5. Foco indefinido. UX research, UI e product design são vagas diferentes; título e resumo devem dizer qual delas se pretende.

Exemplo de currículo de designer UX/UI

O exemplo abaixo reúne as recomendações em um currículo de uma página. Nomes e empresas são fictícios.

Larissa Fontes
Product Designer (UX/UI)
Florianópolis, SC · larissa.fontes@email.com · (48) 90000-0000 · larissafontes.design · linkedin.com/in/larissafontes
Objetivo

Product designer em produto digital, com atuação de ponta a ponta: pesquisa, interface e validação.

Resumo

Designer UX/UI com 6 anos de experiência em banco digital e agência, responsável por fluxos de conta, pagamentos e painel do lojista. Conduziu mais de 60 testes de usabilidade e estruturou um design system usado por 4 squads. Decide com métricas de conversão e adoção.

Experiência

Product Designer, Banco Alvorada (banco digital), Florianópolis. 2022 - atual

  • Redesenhei o fluxo de abertura de conta do app (de 12 para 7 telas) e a conclusão do cadastro subiu de 54% para 71% em dois meses.
  • Estruturei o design system em Figma (140 componentes, tokens de cor e tipografia), adotado por 4 squads, e cortei pela metade o tempo de handoff.
  • Auditei 35 telas segundo a WCAG 2.1 AA e corrigi contraste e navegação por teclado, eliminando todas as falhas críticas.

Designer UX/UI, Agência Pulso, Curitiba. 2019 - 2022

  • Conduzi 24 testes moderados no Maze para um e-commerce de moda e corrigi 9 problemas críticos antes do lançamento, reduzindo em 40% os chamados sobre o checkout.
  • Mapeei a jornada de 18 lojistas em entrevistas e priorizei 6 melhorias que reduziram o abandono do painel em 27%.
  • Prototipei 3 versões da página de planos de um SaaS e validei com 15 usuários; a versão escolhida aumentou a conversão em 22%.
Formação

Bacharelado em Design, Universidade Federal de Santa Catarina, 2018. Certificação Google UX Design, 2021. Curso de UX Research, Mergo, 2023.

Habilidades

Figma, design system, pesquisa com usuários, testes de usabilidade, prototipação, arquitetura de informação, acessibilidade WCAG, Maze, Hotjar, Miro, HTML e CSS. Inglês intermediário.

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Perguntas frequentes

O currículo de designer UX/UI precisa ter portfólio?

Sim, e o link deve estar no cabeçalho. O portfólio é onde o recrutador avalia processo e critério; o currículo resume resultados e trajetória. Sem portfólio acessível, a candidatura raramente avança, mesmo com boa experiência.

Vale a pena fazer o currículo com um design elaborado para mostrar habilidade?

Só se houver uma versão sóbria de uma coluna para os sistemas de triagem. O documento com colunas, ícones e blocos de cor pode ser enviado quando o contato é direto com quem contrata; nos portais, o que conta é o texto legível.

Como mostrar UX sem experiência formal no cargo?

Com projetos de estudo apresentados como cases completos, trabalhos freelance para pequenos negócios e redesigns hipotéticos identificados como tal. O currículo deve destacar a pesquisa e a validação feitas, mesmo com poucos usuários, e não apenas as telas.

Quais ferramentas listar no currículo de UX/UI?

As usadas com fluência e que aparecem nas vagas pretendidas: Figma é praticamente obrigatório; Maze, Hotjar ou UserTesting mostram prática de validação; Miro ou FigJam indicam facilitação. Ferramentas usadas uma vez em um curso não devem entrar.