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Como fazer um currículo em 2026: guia completo

Atualizado: setembro de 2026 · Dante Coledas, fundador do chooseme

Um recrutador dedica entre 6 e 8 segundos à primeira leitura de um currículo. Nesse tempo, decide se continua lendo ou passa para o próximo. Este guia explica como montar um currículo que supere esse primeiro filtro, e também o filtro automático que costuma vir antes dele. Seção por seção, com exemplos concretos.

Neste guia

O essencial, em poucas linhas

Para quem precisa da versão curta, isto é o que define um bom currículo em 2026:

  • Uma página na maioria dos casos; duas apenas com mais de 10 anos de trajetória relevante.
  • Ordem cronológica inversa: a experiência mais recente primeiro.
  • Resultados mensuráveis no lugar de tarefas: "aumentei as vendas em 20%" diz mais do que "responsável pelas vendas".
  • Design simples e legível: uma coluna, fonte padrão, sem gráficos decorativos que confundam os sistemas de triagem.
  • Adaptado a cada vaga: as palavras-chave do anúncio devem aparecer no currículo, desde que sejam verdadeiras.
  • Em PDF, salvo quando a vaga pede outro formato.

O restante do guia desenvolve cada ponto.

A estrutura que funciona

Não existe uma única estrutura válida, mas existe uma que funciona para a grande maioria dos perfis:

1
Dados de contato
2
Título profissional
3
Resumo
4
Experiência profissional
5
Formação
6
Habilidades
7
Extras

Essa ordem coloca o que mais pesa (a experiência) onde o olhar chega primeiro. A seção de informações adicionais fecha o documento com idiomas, certificações e trabalho voluntário.

Um perfil sem experiência profissional inverte a ordem: formação e projetos sobem, e a seção de experiência é substituída por estágios, projetos acadêmicos ou trabalho voluntário.

Seção por seção

Dados de contato

Nome completo, cidade e estado (o endereço completo não é necessário), telefone com DDD, e-mail e, se agregar valor, o link do LinkedIn ou de um portfólio. Duas verificações antes de enviar: que o e-mail seja profissional (idealmente nome e sobrenome) e que o telefone inclua o código do país (+55) se a busca for internacional.

O que fica de fora: CPF, RG, estado civil e data de nascimento. Nenhum processo sério pede esses dados na etapa de candidatura, e incluí-los só expõe informação pessoal sem agregar nada.

Título profissional

Uma linha abaixo do nome que responde "quem é esta pessoa?": Desenvolvedora front-end, Analista de marketing digital, Vendedor técnico industrial. Convém que coincida com o título da vaga, ou pelo menos dialogue com ele. Um currículo sem título obriga o recrutador a deduzir o perfil, e a primeira leitura é curta demais para isso.

Objetivo e resumo

No Brasil, a seção "Objetivo" é tradicional: uma linha com o cargo ou a área pretendida. Ela continua sendo útil, mas rende mais quando vem acompanhada de um resumo de duas a quatro linhas que condensa trajetória, ponto forte e direção. A armadilha habitual é enchê-lo de adjetivos ("proativo, dinâmico, orientado a resultados"), frases que aparecem em milhares de currículos e não trazem informação. Funciona melhor o concreto:

Analista de dados com 4 anos em varejo. Experiência montando painéis usados por mais de 50 pessoas por dia. Objetivo: integrar uma equipe de produto.

Experiência profissional

A seção decisiva. Cada cargo leva: função, empresa, período (mês e ano) e 3 a 5 tópicos de resultados. Como escrever esses tópicos tem seção própria mais abaixo, porque é onde a entrevista se ganha ou se perde.

As lacunas entre empregos não se disfarçam com datas vagas. Se forem longas, explicam-se em uma linha (estudos, maternidade ou paternidade, viagem, projeto próprio); se forem curtas, ficam sem comentário. Uma lacuna honesta gera menos dúvidas do que datas que não fecham.

Formação acadêmica

Curso, instituição e ano de conclusão (ou "em andamento"). Vale indicar o tipo de formação com o nome que o mercado usa: ensino médio, técnico, tecnólogo, bacharelado, licenciatura, pós-graduação lato sensu, MBA, mestrado. Com experiência consolidada, esta seção é breve; o coeficiente de rendimento só soma em perfis recém-formados e se for alto. Cursos curtos vão em "Informações adicionais", não aqui. Misturá-los com a formação principal dilui as duas coisas.

Habilidades

Entre 6 e 12, separadas entre técnicas (ferramentas, software, metodologias) e comportamentais, com as comportamentais no mínimo. "Trabalho em equipe" escrito em uma lista não convence ninguém; um resultado que o demonstre, sim. Esta seção é a que os filtros automáticos mais analisam, então convém usar os nomes exatos das ferramentas tal como aparecem nas vagas: Excel avançado, Google Ads, SAP, Figma, Power BI.

Informações adicionais

Idiomas com nível real (as escalas tipo B2 ou C1 ajudam; "inglês fluente" sem respaldo é testado na primeira entrevista), certificações com nome e instituição, e trabalho voluntário se for recente ou relevante. O que não entra: hobbies genéricos, "disponibilidade integral", referências ("sob solicitação" fica subentendido) e dados pessoais que nenhum processo sério deveria pedir nesta etapa.

Se a candidatura for em outro idioma, o documento muda mais do que as palavras: o que se elimina e como se traduzem os títulos está no guia de currículo em inglês, e uma ferramenta de tradução de currículo aplica essas convenções além do idioma.

Como descrever a experiência: resultados, não tarefas

A diferença entre um currículo mediano e um que consegue entrevistas quase sempre está nesta seção. Uma descrição de tarefas diz o que havia para fazer no cargo; um resultado diz o que aconteceu porque aquela pessoa estava no cargo.

A fórmula que organiza cada tópico: verbo de ação + o que foi feito + resultado mensurável.

Assim nãoAssim sim
Responsável pelo atendimento ao cliente.Atendi uma média de 40 chamados por dia e elevei a satisfação (CSAT) de 3,9 para 4,5 em seis meses.
Encarregado das redes sociais.Dobrei o alcance mensal do Instagram (de 12.000 para 25.000 contas) redesenhando o calendário de conteúdo.
Tarefas administrativas em geral.Digitalizei o arquivo de fornecedores (800 pastas) e reduzi o tempo de busca de 15 minutos para 30 segundos.

Nem todo cargo gera métricas espetaculares, e não é preciso. Serve qualquer número honesto: pessoas sob gestão, frequência, volume, tempo economizado. Quando não há número, funciona um resultado qualitativo concreto ("o processo que documentei continua em uso").

Números inventados caem na primeira pergunta de aprofundamento da entrevista. Um número modesto e real convence mais do que um espetacular e falso.

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Formato e design: o que importa de verdade

  • Extensão: uma página. Duas se houver mais de dez anos de trajetória relevante. Nunca três.
  • Fonte: uma só, legível, entre 10 e 12 pontos. A criatividade vai no conteúdo, não na tipografia.
  • Cor: no máximo uma de destaque, sobre base preta ou cinza.
  • Foto: no Brasil é opcional e cada vez menos comum, exceto em áreas como atendimento, vendas e recepção, onde alguns recrutadores ainda esperam. Se a vaga não pede, omitir é a opção mais segura.
  • Colunas e gráficos: layouts de duas colunas, ícones e barras de "nível de habilidade" confundem os sistemas de triagem automática (ATS) que muitas empresas, e plataformas como a Gupy, usam para ler currículos antes de qualquer pessoa. Um design de uma coluna com cabeçalhos claros passa por esses filtros sem atrito.
  • Arquivo: PDF, sempre que a vaga não pedir outra coisa.

O nome do arquivo também comunica: `Nome-Sobrenome-Curriculo.pdf` transmite cuidado; `cv_final_v3(2).pdf` transmite o contrário.

Para verificar um currículo existente contra esses critérios, existe uma verificação ATS gratuita que aponta exatamente o que corrigir. E escolher uma base sólida evita todos esses problemas de uma vez: estes modelos de currículo já vêm pensados para leitura humana e automática.

Sem experiência: por onde começar

Um primeiro currículo se monta com o que existe: formação, projetos acadêmicos ou pessoais, trabalho voluntário, estágios e habilidades demonstráveis. O erro a evitar é preencher com adjetivos o que pode ser mostrado com fatos.

Cada um desses itens recebe o mesmo formato de resultados de um emprego: "organizei um torneio para 120 pessoas", "desenvolvi um aplicativo como projeto de conclusão de curso, hoje com 200 downloads". A estrutura também se inverte: formação e projetos sobem para o primeiro lugar, e o resumo explica para onde o perfil aponta em vez de resumir um passado que ainda não existe. O detalhe está no guia de currículo sem experiência.

Os erros que eliminam um currículo

Os motivos de eliminação se repetem em qualquer processo seletivo, e quase todos são evitáveis com uma revisão atenta. Os oito mais frequentes:

  1. Erros de português. A eliminação mais rápida que existe. Convém que outra pessoa leia antes do envio.
  2. Um único currículo para todas as vagas. Sem as palavras-chave do anúncio, o filtro automático o rebaixa antes que alguém o leia.
  3. Tarefas no lugar de resultados. A seção de experiência fica igual à de outros cem candidatos.
  4. Dados de contato com erro. Acontece mais do que parece: um dígito trocado e a entrevista nunca chega.
  5. Mentiras. Datas esticadas, títulos inflados, níveis de inglês otimistas. Tudo se verifica.
  6. Design sobrecarregado. Ilegível para o ATS e cansativo para o recrutador.
  7. Informação irrelevante. O emprego de 15 anos atrás em outra área ocupa espaço que o recente precisa.
  8. Extensão injustificada. Três páginas comunicam falta de critério para priorizar, o que já é um dado em si.

Adaptar o currículo a cada vaga

Não é preciso reescrever tudo a cada candidatura. Bastam três ajustes: o título profissional alinhado ao da vaga, o resumo mencionando o que o anúncio prioriza e as habilidades reordenadas para que as pedidas apareçam primeiro.

São 10 minutos que multiplicam a taxa de resposta. Para acelerar, há uma ferramenta que compara o currículo com a vaga e sugere esses ajustes automaticamente.

Checklist final antes de enviar

Antes de anexar o arquivo em qualquer portal ou e-mail, uma passada rápida por esta lista evita os descuidos mais comuns:

  • Uma página (ou duas, justificadas).
  • Título profissional alinhado ao cargo.
  • Resumo sem adjetivos vazios.
  • Cada cargo com 3 a 5 resultados, com números onde existirem.
  • Habilidades com os nomes exatos que a vaga usa.
  • Sem erros de português (relido por outra pessoa).
  • E-mail e telefone verificados.
  • PDF com nome profissional.
  • Nada de CPF, RG, estado civil nem referências.
  • Adaptado à vaga concreta.

Perguntas frequentes

Quantas páginas deve ter um currículo?

Uma página para a maioria dos perfis. Duas páginas só se justificam com mais de dez anos de experiência relevante para o cargo. A regra prática: se algo não ajuda a conseguir esta entrevista, não entra.

É preciso colocar foto no currículo?

No Brasil a foto é opcional. Ainda é comum em áreas como atendimento e vendas, mas em tecnologia, engenharia e cargos corporativos costuma ser dispensada, e muitas empresas a evitam por política de diversidade. Se a vaga não pede explicitamente, omitir é a opção segura.

O que é um ATS e por que afeta o currículo?

Um ATS (Applicant Tracking System) é o software que muitas empresas usam para receber e filtrar candidaturas antes que uma pessoa as leia; plataformas como Gupy funcionam assim. Ele lê o texto do currículo e o compara com as palavras-chave da vaga. Por isso, layouts complexos e falta de palavras-chave eliminam candidatos válidos sem que ninguém os veja.

Dá para usar o mesmo currículo em todas as vagas?

Dá, mas rende muito menos. Ajustar título, resumo e habilidades a cada anúncio leva alguns minutos e aumenta de forma notável a taxa de resposta, porque tanto o filtro automático quanto o recrutador encontram antes o que procuram.

Em que formato convém enviar o currículo?

PDF, salvo quando a vaga pede outro formato. O PDF conserva o layout em qualquer dispositivo e todos os ATS modernos o leem sem problema. O nome do arquivo também comunica: `Nome-Sobrenome-Curriculo.pdf`.

Como fazer um currículo sem experiência profissional?

Com formação, projetos, estágios, trabalho voluntário e habilidades demonstráveis, tratados com formato de resultados ("organizei", "desenvolvi", "alcancei") em vez de preencher com adjetivos. A estrutura se inverte: formação e projetos sobem para o primeiro lugar.