Engenharia elétrica se prova com potência e com norma. Quem contrata quer saber que instalações a pessoa projetou ou manteve, em que nível de tensão, com que potência instalada e sob qual norma, além de conferir o registro no CREA e o histórico de emissão de ART. A descrição genérica de "atuação em projetos elétricos" não diz se o candidato dimensiona um quadro predial ou uma subestação de 13,8 kV, e essas são vagas completamente diferentes.
O segundo filtro é o segmento, porque a carreira se divide em ramos que quase não se tocam: instalações prediais e comerciais, elétrica industrial e acionamentos, geração e transmissão, energia solar fotovoltaica, automação e controle, eficiência energética. O currículo precisa nomear o ramo principal e sustentar com projetos dimensionados. Este guia mostra o que pesa na leitura, quais termos as vagas filtram, como escrever descrições com números de potência e como fica um exemplo completo dentro da área de engenharia.
Neste guia
O que pesa no currículo de engenheiro eletricista
O registro no CREA com estado e número vai no cabeçalho, e quem emite ART de projeto, execução ou laudo deve dizer isso de forma explícita. Junto, as habilitações de segurança que a vaga costuma exigir: NR-10 básico, complementar de sistema elétrico de potência quando há alta tensão, e NR-35 para trabalho em altura em subestações e redes.
Cada projeto descrito precisa de grandeza elétrica. Potência instalada em kVA ou MW, nível de tensão (baixa, média ou alta), quantidade de quadros, alimentadores e circuitos, demanda contratada, tipo de instalação e a norma seguida. Quem atua em manutenção industrial descreve o parque de acionamentos: motores, inversores de frequência, soft starters, CCMs, painéis de comando, além de indicadores de disponibilidade e de falhas elétricas evitadas. Quem atua em fotovoltaica informa potência instalada em kWp, tipo de conexão, geração estimada e realizada.
Norma e software são palavras-chave literais. ABNT NBR 5410 para baixa tensão, NBR 14039 para média tensão, NBR 5419 para proteção contra descargas atmosféricas, NBR 5413 e ISO 8995 para iluminação, além das normas das concessionárias para entrada de energia. Em software, AutoCAD e Revit MEP, QiElétrico ou Lumine, DIALux para luminotécnica, ETAP ou PowerFactory para estudos de curto-circuito e seletividade, PVsyst para solar e ambientes de programação de CLP. Formação é bacharelado em Engenharia Elétrica ou Eletrotécnica, com pós em sistemas de potência, automação, energias renováveis ou segurança do trabalho.
Palavras-chave que as vagas buscam
Termos frequentes nos anúncios de engenharia elétrica no Brasil:
- CREA ativo e ART
- NR-10 e complementar SEP
- ABNT NBR 5410, NBR 14039 e NBR 5419
- Projeto elétrico de baixa e média tensão
- Subestação, transformador e entrada de energia
- Estudo de curto-circuito, seletividade e coordenação de proteção
- Dimensionamento de alimentadores e quadro de distribuição
- Correção de fator de potência e banco de capacitores
- Inversor de frequência, soft starter e CCM
- Automação, CLP e SCADA
- Energia solar fotovoltaica e geração distribuída
- Eficiência energética e gestão de demanda
- AutoCAD, Revit MEP, DIALux, ETAP, PVsyst
- Aterramento e SPDA
- Comissionamento e ensaios elétricos
Esses termos rendem mais dentro da descrição do projeto ou da instalação em que foram aplicados, e depois na seção de habilidades com a grafia do anúncio. A ferramenta para adaptar o currículo à vaga aponta o que a vaga pede e o documento ainda não traz.
Descrições de experiência que funcionam
Cada linha precisa de potência, norma e efeito da intervenção:
| Assim não | Assim sim |
|---|---|
| Elaboração de projetos elétricos prediais | Projetei a instalação elétrica de um centro logístico de 18.000 m² com 1.250 kVA de demanda, conforme NBR 5410 e NBR 5419, com ART emitida e aprovação da concessionária sem exigência |
| Atuação com subestações | Especifiquei e acompanhei o comissionamento de 2 subestações abrigadas de 1.500 kVA em 13,8 kV, incluindo estudo de seletividade e ajuste de relés |
| Manutenção elétrica industrial | Respondi por 220 acionamentos (motores, inversores e CCMs) e reduzi as paradas por falha elétrica de 14 para 3 por trimestre |
| Projetos de eficiência energética | Implantei correção de fator de potência e troca de 1.400 luminárias por LED com projeto em DIALux, reduzindo o consumo em 31% e a demanda contratada em 180 kW |
| Trabalho com energia solar | Dimensionei em PVsyst 9 usinas fotovoltaicas somando 3,2 MWp em geração distribuída, com desvio de geração inferior a 5% em relação ao estimado no primeiro ano |
| Atuação com segurança elétrica | Elaborei o prontuário das instalações elétricas e as análises de risco NR-10 de 3 plantas, com adequação de 46 painéis e eliminação de arco em zona de risco |
Potência, nível de tensão e norma aplicada são os três dados que um coordenador de projetos elétricos procura primeiro. Uma descrição sem eles é lida como trabalho de apoio.
Júnior vs. sênior
No início da carreira, o currículo se apoia em estágio, projetos acadêmicos e domínio de ferramenta de cálculo e desenho. Vale detalhar o que se fez em campo (levantamento de carga, acompanhamento de instalação, ensaios, apoio a comissionamento, cadastro de circuitos) e informar as habilitações de segurança já obtidas, porque NR-10 válida antecipa contratação em muitas vagas de júnior. Projetos de conclusão sobre dimensionamento, qualidade de energia ou fotovoltaica contam quando descritos com a grandeza calculada e a norma usada.
No perfil sênior, o documento mostra responsabilidade técnica e escala: portfólio de projetos com potência somada, coordenação de equipes de projetistas, relação com concessionárias e órgãos, gestão de contratos de manutenção, estudos de sistemas de potência e planos de investimento em energia. Entram certificações, experiência com comissionamento de grandes instalações e atuação em auditorias. As métricas passam de instalação projetada para consumo e demanda da planta inteira, indisponibilidade evitada e economia anual de energia. Duas páginas são aceitáveis, conforme o critério do guia de currículo de uma ou duas páginas.
Erros frequentes neste cargo
Os currículos de engenharia elétrica falham por omitirem justamente o que é técnico:
- Projetos sem potência nem tensão. Sem kVA e sem nível de tensão, o leitor não distingue um projeto predial simples de uma subestação industrial.
- Omitir CREA e NR-10. Registro e habilitação são requisito de edital e de contrato; a ausência elimina no filtro inicial.
- Não citar as normas. NBR 5410 e NBR 14039 aparecem literalmente nos anúncios e funcionam como termo de busca.
- Confundir o cargo com o de eletricista. Engenheiro projeta, dimensiona e assume responsabilidade técnica; o currículo deve descrever cálculo e projeto, não apenas execução, e a diferença fica clara no guia de currículo de eletricista.
- Listar software sem projeto associado. ETAP e DIALux sem um estudo ou uma instalação concreta não sobrevivem à entrevista técnica.
- Nenhum dado de energia. Consumo reduzido, demanda ajustada e fator de potência corrigido são os resultados que a diretoria entende, e costumam ficar de fora.
Exemplo de currículo de engenheiro eletricista
Perfil pleno de projetos industriais e prediais com atuação em eficiência energética, em uma página. Nome e empresas são fictícios.
Engenheira eletricista pleno em projetos de baixa e média tensão para instalações industriais e logísticas, com atuação em eficiência energética e comissionamento.
Engenheira eletricista com 8 anos em projeto e manutenção de instalações industriais, com mais de 6.000 kVA de potência projetada e ART emitida. Atua em dimensionamento conforme NBR 5410 e NBR 14039, estudos de seletividade, subestações abrigadas e projetos de eficiência energética.
Engenheira eletricista pleno, Projelet Engenharia, Contagem. 2020 - atual
- Projetei a instalação elétrica de um centro logístico de 18.000 m² com 1.250 kVA de demanda, conforme NBR 5410 e NBR 5419, aprovada pela concessionária sem exigência.
- Especifiquei e acompanhei o comissionamento de 2 subestações abrigadas de 1.500 kVA em 13,8 kV, com estudo de seletividade e ajuste de relés.
- Implantei correção de fator de potência e troca de 1.400 luminárias por LED, reduzindo o consumo em 31% e a demanda contratada em 180 kW.
Engenheira eletricista, Siderúrgica Ribeirão Verde, Betim. 2016 - 2020
- Respondi por 220 acionamentos (motores, inversores e CCMs) e reduzi as paradas por falha elétrica de 14 para 3 por trimestre.
- Elaborei o prontuário das instalações elétricas e as análises de risco NR-10 de 3 plantas, com adequação de 46 painéis.
- Dimensionei em PVsyst 9 usinas fotovoltaicas somando 3,2 MWp em geração distribuída para unidades do grupo.
Bacharelado em Engenharia Elétrica, CEFET-MG, 2016. Pós-graduação em Sistemas Elétricos de Potência, PUC Minas, 2021. NR-10 básico e complementar SEP, atualizados em 2025.
AutoCAD, Revit MEP, QiElétrico, DIALux, ETAP, PVsyst. Projeto de baixa e média tensão, subestações, estudo de curto-circuito e seletividade, SPDA e aterramento, correção de fator de potência, acionamentos e CLP, NBR 5410, NBR 14039, NBR 5419, NR-10 e NR-35. Inglês intermediário.
Perguntas frequentes
Como mostrar o porte dos projetos elétricos no currículo?
Com potência instalada ou demanda em kVA, nível de tensão e área ou tipo da instalação. Essa combinação permite ao leitor comparar imediatamente com os projetos da empresa, o que nenhuma descrição qualitativa consegue fazer.
NR-10 precisa estar no currículo mesmo em vaga de projeto?
Convém que esteja sempre que estiver válida, com a data da última atualização e a indicação do complementar SEP quando houver. Muitas vagas de projeto preveem visita a campo e comissionamento, e a habilitação vencida trava a contratação.
Vale a pena citar experiência com energia solar?
Vale, mesmo quando a vaga é de outro ramo, porque geração distribuída aparece em quase todo plano de eficiência energética. Convém informar potência em kWp, quantidade de usinas e o desvio entre geração estimada e realizada.
Como diferenciar o currículo de engenheiro eletricista do de técnico?
Pelo verbo e pela responsabilidade. O engenheiro dimensiona, especifica, assina ART, conduz estudo e aprova; o texto deve refletir cálculo, norma e responsabilidade técnica, enquanto execução e montagem entram apenas como contexto de acompanhamento.