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Perguntas de entrevista para programador júnior

Atualizado: setembro de 2026 · Dante Coledas, fundador do chooseme

A entrevista para uma vaga júnior de desenvolvimento gera uma ansiedade particular: a sensação de que a qualquer momento chega a pergunta que deixa exposto o que falta saber. Essa ansiedade parte de um mal-entendido. Ninguém espera que um júnior saiba tudo; espera-se que raciocine, que aprenda rápido e que seja honesto sobre os próprios limites.

Este guia explica o que se avalia de verdade, quais perguntas técnicas e comportamentais aparecem com mais frequência e como lidar com dois momentos decisivos: o "não sei" e os projetos próprios.

Neste guia

O que se avalia de verdade em um júnior

Contratar um júnior é um investimento: a empresa sabe que os primeiros meses são de formação. Por isso o entrevistador não busca conhecimento enciclopédico, e sim três sinais de que o investimento vai render.

O primeiro é o raciocínio: diante de um problema novo, importa mais o caminho do que a resposta. O segundo é a capacidade de aprendizado: o que a pessoa aprendeu por conta própria e como pesquisa quando trava. O terceiro é a honestidade técnica: um júnior que diz "não sei" e mostra como descobriria é contratável; um que inventa respostas é um risco, porque vai inventar também no trabalho.

As perguntas técnicas típicas

Os temas variam conforme a stack, mas o padrão se repete entre empresas:

TemaPergunta típicaO que avalia
Fundamentos da linguagem"Qual é a diferença entre uma lista e um dicionário?"Se a base é sólida ou foi aprendida copiando trechos
Lógica e estruturas de dadosUm exercício curto, resolvido em voz altaO raciocínio, não a solução ótima
Git e trabalho em equipe"Como você resolve um conflito de merge?"Se a pessoa consegue entrar em um fluxo real desde a primeira semana
Banco de dados e APIsUma consulta SQL simples, o que é uma API RESTCompreensão do sistema completo, não só do trecho programado
O próprio código"Por que resolveu dessa forma?"Se entende o próprio código ou o copiou, filtro frequente em tempos de IA

Em vagas júnior os exercícios costumam ser simples de propósito: o que se observa é o processo, não a velocidade. Diante de qualquer enunciado técnico convém repeti-lo com as próprias palavras e expor a abordagem antes de executá-la.

Pensar em voz alta não é opcional: é o produto que está sendo avaliado. Um candidato que fica dois minutos em silêncio e dá a resposta certa pontua pior do que um que narra o raciocínio, erra e se corrige.

As perguntas comportamentais

A metade não técnica da entrevista pesa mais do que os candidatos júnior supõem. As clássicas do formato geral (apresentação, motivação, pontos fortes e fracos) estão no guia de perguntas frequentes de entrevista; estas são as do perfil:

  • "Como você aprendeu a programar?" Não há resposta errada (faculdade, bootcamp, autodidata), mas há uma estrutura forte: o que se escolheu aprender, por quê e o que foi construído com isso.
  • "Conte sobre um bug que custou a resolver." Avalia método de debugging e tolerância à frustração. A resposta forte narra o processo: o que foi testado, como o problema foi isolado e o que ensinou.
  • "O que faz quando trava em algo que não sai?" Avalia autonomia com critério. "Nunca peço ajuda" é uma resposta tão ruim quanto "pergunto na hora".
  • "Que tecnologia está aprendendo agora?" Mede se o aprendizado continua ativo, o sinal número um do perfil júnior que rende.

Como responder "não sei" bem

Em uma entrevista júnior chegam perguntas sem resposta, às vezes colocadas de propósito para ver a reação. Uma fórmula de três passos transforma esse momento em ponto a favor: admitir sem rodeios, aproximar-se com o que se sabe e explicar como descobriria.

"Não trabalhei com Redis, então não quero inventar. Sei que é um banco de dados em memória e que é muito usado para cache, então suponho que a vantagem seja a velocidade de leitura. Se precisasse dele em um projeto, começaria pela documentação oficial e montaria um teste pequeno antes de mexer em qualquer coisa real."

Essa resposta mostra honestidade, base para raciocinar e método de aprendizado: os três sinais que a entrevista busca. A alternativa (improvisar uma definição) falha sempre, porque o entrevistador conhece a resposta e a pergunta de acompanhamento chega.

Praticar a entrevista técnica antes da real
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Como falar de projetos próprios

Sem experiência profissional, os projetos são a experiência. De cada projeto do portfólio é preciso conseguir contar quatro coisas: que problema resolve, quais decisões técnicas houve, o que foi mais difícil e o que se faria diferente hoje. Essa última é a favorita dos entrevistadores, porque mede autocrítica técnica.

Dois projetos defensáveis em profundidade valem mais do que seis tutoriais mal modificados. Se um projeto tem usuários reais, mesmo que sejam dez, esse dado vai primeiro. Os mesmos projetos devem estar bem contados no papel: o guia de currículo sem experiência explica como apresentá-los em formato de conquistas.

Erros frequentes do júnior na entrevista

Quase nenhum desses erros tem a ver com falta de conhecimento técnico. Todos têm a ver com a forma de conduzir a conversa, e por isso são os mais fáceis de corrigir antes da próxima entrevista.

  1. Inventar quando não sabe. O erro mais caro: a pergunta de acompanhamento o expõe e arrasta a credibilidade do resto.
  2. Resolver em silêncio. O raciocínio não narrado não existe para o entrevistador.
  3. Não conseguir explicar o próprio portfólio. Sinal de código copiado sem digerir.
  4. Pedir desculpas demais. Começar cada resposta com "deve estar errado, mas..." corrói a impressão geral.
  5. Chegar sem perguntas próprias. Perguntar sobre a stack, o code review ou como os júniores são acompanhados demonstra critério.
  6. Não ensaiar a parte falada. Explicar código em voz alta se treina; uma entrevista simulada com IA permite praticar perguntas do cargo no simulador de entrevista antes da real.

Perguntas frequentes

O que perguntam em uma entrevista para programador júnior?

Fundamentos da linguagem principal, estruturas de dados básicas, Git, alguma consulta SQL ou conceito de API, e perguntas comportamentais: como aprendeu a programar, um bug difícil, o que faz quando trava. Se há portfólio, perguntas sobre as decisões daquele código.

É preciso saber resolver algoritmos complexos para uma vaga júnior?

Na maioria das vagas júnior, não. Os exercícios costumam ser de lógica simples e o que se avalia é o raciocínio em voz alta, não a solução ótima. As exceções, algumas empresas grandes com processos competitivos, são antecipadas no anúncio.

O que acontece se não sei a resposta de uma pergunta técnica?

É esperado e até faz parte do desenho da entrevista. A resposta correta tem três passos: admitir sem rodeios, contribuir com o que se sabe e explicar como descobriria. Inventar uma resposta é o único caminho desclassificatório.

Quantos projetos convém ter no portfólio?

Dois ou três que possam ser defendidos em profundidade: que problema resolvem, quais decisões técnicas têm por trás, o que foi difícil e o que se mudaria hoje. Superam qualquer lista de tutoriais replicados.

Como se pratica uma entrevista técnica júnior?

Em voz alta, que é como acontece a real: explicar um projeto próprio a outra pessoa, narrar o raciocínio de um exercício simples enquanto o resolve e ensaiar as perguntas comportamentais com um simulador que faça perguntas de acompanhamento.