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O que colocar no currículo (e o que convém tirar)

Atualizado: setembro de 2026 · Dante Coledas, fundador do chooseme

Um currículo não é um inventário de tudo o que uma pessoa fez na vida. É um documento de venda de uma página que responde a uma única pergunta: por que vale a pena entrevistar este candidato para esta vaga. Essa definição resolve de antemão a maioria das dúvidas sobre o que incluir.

Ainda assim, há conteúdos que entram sempre, outros que dependem do perfil e vários que simplesmente tiram pontos. Este guia os separa nessas três categorias e fecha com o critério geral para decidir qualquer caso duvidoso.

Neste guia

O imprescindível: as seções que entram sempre

Todo currículo competitivo, de qualquer área e nível, se sustenta sobre o mesmo esqueleto:

1
Dados de contato
2
Título profissional
3
Resumo
4
Experiência profissional
5
Formação
6
Habilidades
7
Extras
  • Dados de contato: nome completo, cidade e estado, telefone com DDD, e-mail profissional. Com isso basta. CPF, RG e data de nascimento ficam de fora.
  • Título profissional: uma linha abaixo do nome que diz quem é a pessoa (Analista contábil, Desenvolvedora front-end). Sem título, o recrutador precisa deduzir o perfil, e não vai dedicar tempo a isso.
  • Objetivo e resumo: a linha de objetivo, tradicional no currículo brasileiro, indica o cargo pretendido; o resumo, de duas a quatro linhas, traz trajetória, ponto forte e direção. É a seção mais difícil de escrever bem; há um guia dedicado a como escrever o resumo profissional.
  • Experiência profissional: cada cargo com função, empresa, datas (mês e ano) e 3 a 5 tópicos de resultados mensuráveis. É a seção que decide a entrevista.
  • Formação acadêmica: curso, instituição e ano, com o tipo de formação (técnico, tecnólogo, bacharelado, pós lato sensu). Breve quando há experiência consolidada.
  • Habilidades: entre 6 e 12, com os nomes exatos das ferramentas. Quais escolher e como ordená-las tem guia próprio.

O desenvolvimento completo de cada seção, com exemplos, está no guia para fazer um currículo do zero.

O opcional: soma conforme o perfil

Há conteúdos que não são obrigatórios, mas que no contexto certo inclinam a balança:

  • Link do LinkedIn ou portfólio: quase obrigatório em perfis digitais, de design ou desenvolvimento; opcional no restante. Só se o perfil estiver atualizado e cuidado.
  • Idiomas: entram sempre que superarem o nível básico, com uma escala reconhecível (B2, C1, "intermediário avançado"). Um idioma real é um dos dados que mais abrem filtros.
  • Certificações: com nome exato e instituição. Três relevantes valem mais do que uma lista de dez.
  • Trabalho voluntário: soma se for recente, contínuo ou relevante para a vaga. Em um perfil júnior pode ocupar o lugar central, como explica o guia de currículo sem experiência.
  • Foto: opcional no Brasil. Ainda aparece em áreas como atendimento e vendas; em tecnologia e cargos corporativos costuma ser dispensada. Na dúvida, sem foto.
  • Coeficiente de rendimento: só para recém-formados e só se for alto.

O teste para qualquer item opcional é simples: se um recrutador o lê, aumenta a probabilidade de entrevista para esta vaga em particular? Se a resposta for "não" ou "não sei", esse espaço rende mais com outra coisa.

Com a estrutura resolvida, só falta preencher o conteúdo
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O que tira pontos: conteúdos para remover hoje

Alguns conteúdos não são neutros, jogam contra. Ocupam espaço, envelhecem o documento ou geram dúvidas desnecessárias:

EntraNão entra
Cidade e estado de residênciaEndereço completo com rua e número
E-mail profissional (nome.sobrenome)E-mails informais herdados da adolescência
Título profissional concretoA expressão "Curriculum Vitae" como cabeçalho
Resultados com númerosListas de tarefas copiadas da descrição da vaga
Idiomas com nível real"Inglês básico" (se é básico, não filtra a favor)
Experiência dos últimos 10 a 15 anosO primeiro emprego de 20 anos atrás em outra área
Habilidades com nome exato da ferramentaBarras ou estrelas de "nível de habilidade"

A essa tabela se somam as exclusões diretas, que nenhum processo sério deveria pedir na etapa de candidatura:

  • CPF, RG, estado civil, data de nascimento completa. Dados pessoais que não agregam e abrem espaço para vieses.
  • "Referências sob solicitação". Fica subentendido; a linha só gasta espaço.
  • Hobbies genéricos. Ler, viajar e ouvir música não diferenciam ninguém de ninguém.
  • Adjetivos de autoavaliação: proativo, dinâmico, orientado a resultados. Sem um fato que os sustente, são ruído.
  • Pretensão salarial, salvo quando a vaga pede de forma explícita.

O conteúdo que tira pontos nem sempre elimina sozinho, mas compete pelos 6 a 8 segundos da primeira leitura. Cada linha fraca rouba atenção de uma forte.

O critério geral: relevância para esta vaga

Todas as regras anteriores derivam de um único princípio: o currículo se escreve para a vaga, não para a biografia. Um dado é relevante quando se conecta com o que a vaga pede; o mesmo dado pode ser imprescindível em uma candidatura e irrelevante em outra. O domínio avançado de Excel é central para um cargo de análise e decorativo para um de vendas externas.

Na prática, isso significa manter um currículo mestre completo e recortar uma versão por vaga: título alinhado ao anúncio, resumo que mencione o que o anúncio prioriza e habilidades reordenadas. Para acelerar esse ajuste existe uma ferramenta que compara o currículo com a vaga e aponta o que falta e o que sobra.

Diante de qualquer dúvida sobre um conteúdo específico, a pergunta que a resolve: isto ajuda a conseguir esta entrevista? Se não ajuda, não entra, por mais verdadeiro ou interessante que seja.

Perguntas frequentes

Quais seções um currículo precisa ter obrigatoriamente?

Dados de contato, título profissional, objetivo ou resumo, experiência profissional com resultados, formação acadêmica e habilidades. Esse é o esqueleto mínimo; idiomas e certificações entram quando existem e contribuem para a vaga.

É preciso colocar todos os empregos anteriores?

Não. Entram os últimos 10 a 15 anos ou os cargos relevantes para a vaga. Um emprego antigo em outra área pode ser resumido em uma linha ou simplesmente omitido; o currículo é uma seleção, não uma declaração completa de histórico.

Coloca-se o endereço no currículo?

Só a cidade e o estado (e o país, se a busca for internacional). O endereço completo não contribui em nada para o processo seletivo e é um dado pessoal que não cabe compartilhar nesta etapa.

Hobbies entram no currículo?

Só quando se conectam com a vaga ou demonstram algo concreto: uma competição esportiva federada fala de disciplina, um projeto de fotografia soma para um perfil criativo. Hobbies genéricos ocupam espaço sem diferenciar o candidato.

Quais dados pessoais devem ficar de fora?

CPF, RG, estado civil, data de nascimento, endereço completo e qualquer dado que abra espaço para vieses sem contribuir para a vaga. Os processos sérios pedem essas informações apenas na etapa de contratação, não no currículo.

Convém colocar a pretensão salarial?

Só se a vaga pedir de forma explícita. Incluí-la sem que peçam pode eliminar a candidatura antes da hora, tanto por ficar acima quanto por ficar abaixo da faixa prevista.