Quase todas as vagas pedem o currículo em PDF, e com razão: é o único formato que aparece igual em qualquer tela e que todos os sistemas de seleção leem sem problema. A pergunta prática é como chegar a esse PDF, sobretudo quando o único computador disponível é o celular.
Este guia compara os formatos possíveis, mostra as três vias para gerar o arquivo (incluindo o passo a passo completo pelo celular) e repassa os erros de exportação que arruínam um currículo bem escrito.
Neste guia
Por que PDF e não Word nem imagem
A escolha do formato parece um detalhe menor e não é. O mesmo currículo pode chegar perfeito ou quebrado conforme a forma como foi salvo:
| Formato | Como chega ao recrutador | Leitura por ATS | Veredicto |
|---|---|---|---|
| Idêntico ao que foi desenhado, em qualquer dispositivo | Sem problemas se o texto for real | O padrão | |
| Word (.docx) | Pode desalinhar conforme a versão e as fontes instaladas | Boa | Só se a vaga pedir |
| Foto ou digitalização (JPG, PNG, PDF escaneado) | Aparece, mas o texto não pode ser selecionado | Nula: o sistema não encontra texto | Nunca |
| Canva ou outro link para ver online | Depende da conexão e de o link continuar ativo | O ATS não abre links | Nunca como único envio |
O caso do Word merece uma ressalva: alguns processos o pedem explicitamente porque a empresa edita ou anonimiza os currículos. Aí se envia Word. Em todos os outros casos, PDF.
Um PDF não garante nada por si só: se foi gerado escaneando uma folha ou exportando uma imagem, o texto não existe para o sistema que o processa. O teste rápido: se no PDF não dá para selecionar o texto com o cursor, para um ATS esse currículo está em branco.
Via 1: com uma ferramenta online
A opção mais direta, e a única que também ajuda com o conteúdo. Uma ferramenta como o chooseme funciona pelo navegador (computador ou celular, sem instalar nada), orienta seção por seção e exporta um PDF de uma coluna, com texto real, pensado para passar nos filtros automáticos.
A vantagem não está só no arquivo final. Escrever um bom currículo é mais difícil do que exportá-lo, e uma ferramenta especializada sugere o que colocar em cada seção, algo que nenhum editor de texto faz. Para o conteúdo em si, o guia completo para fazer um currículo desenvolve cada seção com exemplos.
Via 2: com um editor de texto e exportar
O caminho clássico: escrever o currículo no Word, no Google Docs ou no LibreOffice e exportar.
- No Word: Arquivo → Salvar como → escolher "PDF" no tipo de arquivo. Não usar "Imprimir em PDF", que em algumas versões transforma o conteúdo em imagem.
- No Google Docs: Arquivo → Fazer download → Documento PDF (.pdf).
- No LibreOffice: Arquivo → Exportar como PDF, com as opções padrão.
Antes de exportar, convém uma passada final: papel A4, margens uniformes, uma única fonte, sem caixas de texto flutuantes (os ATS as leem mal ou não as leem). Depois de exportar, abrir o PDF e verificar duas coisas: que nada tenha desalinhado e que o texto possa ser selecionado.
Via 3: pelo celular, passo a passo
Fazer um currículo em PDF pelo celular é completamente viável, e para muitas pessoas é a única opção. Dois caminhos:
Com uma ferramenta online (recomendado):
- Abrir o navegador do celular e entrar na ferramenta (não precisa de aplicativo).
- Preencher as seções guiadas; o salvamento automático evita perder o progresso se a sessão cair.
- Tocar em baixar ou exportar: o PDF fica na pasta de downloads, pronto para anexar pelo e-mail, pelo WhatsApp ou no formulário da vaga.
Com o Google Docs no celular:
- Instalar o aplicativo do Google Docs (gratuito, e em muitos Android já vem instalado).
- Criar um documento novo e escrever o currículo em uma única coluna, com cabeçalhos claros. Editar formato pelo celular é desconfortável: quanto mais simples o layout, melhor o resultado.
- Tocar no menu de três pontos → Compartilhar e exportar → Salvar como → PDF.
- Abrir o PDF gerado e revisá-lo por completo antes de enviar: as quebras de página se comportam de forma diferente da tela.
O que nunca se deve fazer pelo celular: escrever o currículo no papel e mandar uma foto, nem passar por aplicativos que convertem "foto em PDF". O resultado é uma imagem, ilegível para qualquer filtro automático e difícil de ler para uma pessoa.
Erros ao exportar que arruínam o currículo
Os mais frequentes, e todos evitáveis:
- Currículo como foto ou digitalização. O erro mais grave. O documento parece um PDF normal, mas não contém texto: o sistema de triagem o processa vazio e o elimina. Como esses filtros funcionam e como superá-los está explicado no guia de currículo que passa nos filtros ATS.
- Fontes que quebram. Fontes incomuns não incorporadas são substituídas por outras e desalinham tudo. Com fontes padrão (Arial, Calibri, Georgia) o problema desaparece.
- Exportar só uma parte. Em documentos de mais de uma página, alguns aplicativos exportam a página visível. Conferir se o PDF tem todas as páginas.
- Arquivo pesado demais. Um currículo de texto pesa menos de 1 MB. Se pesa 8 MB, algo sobra (uma foto em alta resolução, por exemplo), e alguns formulários de candidatura, inclusive de plataformas como Gupy e Catho, rejeitam arquivos grandes.
- Versão errada. Guardar dez versões com nomes parecidos termina em enviar a que não era. Esse e outros descuidos evitáveis estão na lista de erros que eliminam um currículo.
O nome do arquivo também conta
É a primeira coisa que o recrutador vê na caixa de entrada, antes de abrir qualquer coisa. A convenção que funciona: `Nome-Sobrenome-Curriculo.pdf`, ou `Nome-Sobrenome-Curriculo-Cargo.pdf` quando se mantêm versões por vaga.
O que convém evitar: nomes genéricos (`CV.pdf`, `curriculo.pdf`) que se perdem entre centenas de arquivos iguais, marcas de versão (`cv_final_v3(2).pdf`) que transmitem desordem, e nomes de outra pessoa, algo que acontece quando o currículo foi montado sobre o arquivo de um conhecido.
Perguntas frequentes
Por que convém enviar o currículo em PDF e não em Word?
Porque o PDF aparece idêntico em qualquer dispositivo e versão de software, enquanto um Word pode desalinhar conforme as fontes instaladas na máquina que o abre. A exceção: se a vaga pede Word explicitamente, envia-se Word.
Dá para fazer um currículo em PDF pelo celular?
Sim, por duas vias: uma ferramenta online pelo navegador (que também orienta o conteúdo e exporta direto em PDF) ou o aplicativo do Google Docs, escrevendo o currículo e usando Compartilhar e exportar → Salvar como PDF. A única coisa a evitar é enviar uma foto do currículo.
Serve mandar uma foto ou digitalização do currículo em PDF?
Não. Embora o arquivo termine em .pdf, seu conteúdo é uma imagem: os sistemas de triagem automática não encontram texto e o eliminam. O teste é simples: se o texto do PDF não pode ser selecionado com o cursor, é uma imagem.
Como converter um currículo do Google Docs em PDF?
Pelo computador: Arquivo → Fazer download → Documento PDF. Pelo aplicativo do celular: menu de três pontos → Compartilhar e exportar → Salvar como → PDF. Nos dois casos convém abrir o PDF resultante e revisar as quebras de página antes de enviar.
Como o arquivo do currículo deve se chamar?
`Nome-Sobrenome-Curriculo.pdf` é a convenção segura, com o cargo acrescentado quando se mantêm versões por vaga. Nomes genéricos como `CV.pdf` se perdem na caixa de entrada do recrutador, e os `final_v3(2)` comunicam desordem.
Quanto deve pesar o PDF de um currículo?
Menos de 1 MB em quase todos os casos. Um peso maior costuma indicar uma foto em alta resolução ou um fundo gráfico desnecessário, e alguns formulários de candidatura rejeitam arquivos grandes.