Entrar
Início · Guias · Currículo

Habilidades para o currículo: quais colocar e como

Atualizado: setembro de 2026 · Dante Coledas, fundador do chooseme

A seção de habilidades ocupa quatro ou cinco linhas do currículo e, mesmo assim, é uma das mais decisivas: é a que mais pesa nos filtros automáticos e uma das que o recrutador escaneia primeiro para confirmar que o perfil se encaixa. Também é onde mais se erra, quase sempre pelo mesmo motivo: ela é preenchida com o que soa bem, e não com o que a vaga pede.

Esta guia resolve as dúvidas em ordem: qual é a diferença entre habilidades e competências, o que separa as técnicas das comportamentais, quantas colocar, como escolhê-las para cada anúncio e exemplos concretos por tipo de cargo.

Neste guia

Habilidades e competências: para o currículo, a mesma coisa

Vale esclarecer primeiro, porque as duas palavras são pesquisadas separadamente: na teoria, competência é a capacidade aplicada a um contexto e habilidade é o domínio de uma tarefa específica. Na prática do currículo, nenhum recrutador nem nenhum sistema de triagem distingue as duas. Elas entram na mesma seção e são avaliadas da mesma forma.

A única decisão útil a respeito é de vocabulário: usar a palavra que o anúncio usa. Se a vaga fala em "competências", o currículo pode intitular a seção assim; se fala em "habilidades" ou "conhecimentos", idem. O conteúdo não muda, e esta guia usa "habilidades" para tudo.

Técnicas e comportamentais: a diferença que importa

A distinção com consequências práticas é outra: entre habilidades técnicas (também chamadas de hard skills) e comportamentais (soft skills).

  • Técnicas: ferramentas, softwares, metodologias, idiomas, conhecimentos certificáveis. Excel avançado, SAP, solda MIG, inglês B2, Google Ads. Podem ser verificadas com uma prova ou um teste prático, e são as que os filtros automáticos buscam como palavras-chave.
  • Comportamentais: comportamentos e capacidades interpessoais. Comunicação, liderança, resolução de problemas. São reais e importam, mas não dá para verificá-las lendo uma lista, e por isso listá-las convence pouco.

Essa assimetria define a regra de composição da seção: maioria técnica, comportamentais no mínimo. De 10 habilidades listadas, 8 ou 9 técnicas é uma proporção saudável. As comportamentais têm lugar no currículo, mas é outro, como se explica mais abaixo.

Quantas colocar e como escolher de acordo com a vaga

A faixa que funciona é de 6 a 12 habilidades. Menos de 6 deixa a seção anêmica e desperdiça o espaço que os filtros mais leem; mais de 12 dilui as importantes entre as de enchimento e sugere falta de critério.

A seleção não é feita olhando o próprio perfil, e sim olhando a vaga. O procedimento concreto:

  1. Ler o anúncio e marcar cada ferramenta, tecnologia ou capacidade que ele menciona.
  2. Cruzar essa lista com as habilidades reais do perfil.
  3. Listar primeiro as coincidências, com o nome exato que o anúncio usa ("Excel avançado" se o anúncio diz isso, não "planilhas eletrônicas").
  4. Completar com habilidades próprias relevantes que o anúncio não menciona, mas o cargo valoriza.

O nome exato importa porque os sistemas de triagem comparam texto, não conceitos. Como essas comparações funcionam e como aproveitá-las está desenvolvido na guia de palavras-chave no currículo, e existe uma ferramenta que compara o currículo com uma vaga concreta e aponta quais habilidades do anúncio estão faltando.

Listar uma habilidade que não se tem é a mentira mais fácil de detectar em todo o currículo: uma pergunta técnica na entrevista basta. A seção é montada só com o que se sustenta ao vivo.

As habilidades rendem mais dentro de um currículo bem montado
Criar um currículo grátis →

Exemplos de habilidades por família de cargos

As listas a seguir orientam sobre o que os recrutadores esperam ver em cada família. São pontos de partida: a versão final sempre se ajusta à vaga concreta.

  • Administração e finanças: Excel avançado (tabelas dinâmicas, PROCV), SAP ou TOTVS Protheus, emissão de nota fiscal eletrônica, conciliação bancária, folha de pagamento, Power BI.
  • Vendas: CRM (HubSpot, Salesforce, RD Station), prospecção ativa, venda consultiva B2B, contorno de objeções, negociação de contratos, gestão de carteira.
  • Atendimento ao cliente: Zendesk ou Freshdesk, tratamento de reclamações, métricas de satisfação (CSAT, NPS), digitação rápida, atendimento multicanal (telefone, chat, redes sociais).
  • Tecnologia: linguagens e frameworks com versão ou contexto (Python, Django, React), SQL, Git, Docker, metodologias ágeis, testes automatizados.
  • Marketing digital: Google Ads, Meta Ads, Google Analytics 4, SEO, e-mail marketing (RD Station, Mailchimp), design básico (Canva, Figma).
  • Logística e ofícios: operação de empilhadeira com certificação NR-11, WMS, controle de estoque, normas de segurança (NR-12, NR-35), leitura de desenho técnico, solda por tipo.

Duas observações transversais. Primeira: os idiomas entram com nível verificável (B2, C1, "conversação em ambiente de trabalho"), nunca sozinhos. Segunda: a especificidade vende; "Excel avançado (tabelas dinâmicas, macros)" pesa mais que "Pacote Office", que já não informa nada.

As comportamentais se demonstram com resultados, não se listam

Uma habilidade comportamental escrita numa lista é uma afirmação sem evidência. A mesma habilidade, mostrada dentro de um resultado na seção de experiência, se torna verificável e memorável. A diferença fica mais clara lado a lado:

Assim não (listada)Assim sim (demonstrada na experiência)
LiderançaLiderei uma equipe de 6 pessoas durante a migração de sistema, sem rotatividade em 18 meses.
ComunicaçãoApresentei resultados mensais ao comitê de diretoria durante dois anos.
Resolução de problemasRedesenhei o fluxo de reclamações e reduzi o tempo de resposta de 72 para 24 horas.
Trabalho em equipeCoordenei com vendas e estoque a implantação do novo sistema de pedidos em 3 lojas.

A consequência prática: na lista de habilidades entram uma ou duas comportamentais no máximo (as que o anúncio pede de forma explícita), e o restante do crédito é conquistado nas descrições de experiência. Como escrever essas descrições em formato de resultado está explicado na guia completa para fazer um currículo, e a seleção geral de conteúdo em o que colocar no currículo.

Se uma habilidade comportamental não tem nem um resultado que a sustente na experiência, listá-la não a torna verdadeira para o leitor. Melhor usar essa linha para uma técnica verificável.

Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre habilidades e competências no currículo?

Para o currículo, nenhuma: recrutadores e sistemas de triagem tratam as duas como sinônimos, e elas entram na mesma seção. A distinção teórica (competência como capacidade aplicada, habilidade como domínio de uma tarefa) não afeta a forma como o documento é avaliado.

Quantas habilidades convém colocar no currículo?

Entre 6 e 12. Menos deixa a seção subaproveitada diante dos filtros automáticos; mais dilui as habilidades importantes entre as de enchimento. A maioria deve ser técnica e verificável.

Quais habilidades colocar se o currículo é para o primeiro emprego?

As técnicas que existirem (ferramentas, softwares, idiomas com nível) mais as que vierem de projetos acadêmicos ou trabalho voluntário. Convém evitar compensar a falta de experiência com listas longas de habilidades comportamentais, porque elas não trazem evidência.

As habilidades comportamentais entram no currículo?

Entram, mas demonstradas dentro dos resultados da experiência profissional, não acumuladas na lista. Na seção de habilidades cabem uma ou duas no máximo, de preferência as que o anúncio pede de forma textual.

Como saber quais habilidades uma vaga pede?

Lendo o anúncio: as ferramentas e capacidades que ele menciona são a lista de referência. As coincidências reais entre o anúncio e o perfil são escritas primeiro e com o mesmo nome que a vaga usa, porque os filtros automáticos comparam texto exato.